A expansão da eletromobilidade exige mais do que carros acessíveis: precisamos de infraestrutura eficiente e descomplicada.
Muito se fala sobre o preço dos carros elétricos no Brasil, mas pouco se discute sobre o maior gargalo da eletromobilidade: a infraestrutura de recarga. Não basta termos mais modelos nas ruas se o ato de recarregar for um exercício de paciência. A realidade é dura — apps instáveis, eletropostos fora de operação, falta de padrão e ausência de planejamento em áreas estratégicas.
Quem dirige um elétrico hoje precisa planejar trajetos com cuidado, conferir disponibilidade com antecedência e ainda contar com a sorte de que o carregador não esteja quebrado ou bloqueado por outro carro. A experiência do usuário ainda está longe de ser fluida, principalmente fora dos grandes centros urbanos. Isso cria uma percepção negativa que afasta novos interessados no segmento.
Mais do que investimento em equipamentos, é preciso simplificar o acesso, unificar plataformas e incentivar a interoperabilidade entre operadoras. A transformação não virá apenas com incentivos fiscais ou mais modelos chineses acessíveis — será necessário um ecossistema funcional, seguro e intuitivo. O carro elétrico precisa ser tão prático quanto um carro a combustão, e isso começa com um carregador confiável a cada esquina.